Uso da web amplia mercado e incrementa receita
Empresas familiares descobrem que manter a presença na internet em todos os canais possíveis, difunde seu produto e ainda ajuda a melhorar a qualidade de vida, com mais tempo para filhos e lazer
Por Caroline Pellegrino
Matéria publicada na Revista do Conselho Regional de Administração (CRA-SP)
http://www.crasp.gov.br/rap/279/279.pdf
Orkut, Facebook, Flickr, Twitter, LinkedIn e Myspace são algumas das redes sociais da internet que estão sendo utlizadas amplamente como ferramentas de marketing. A agilidade com que esses canais transmitem e disseminam informações está mais do que provada. Foi pelo Twitter, por exemplo, que os internautas acompanharam as notícias mais frescas dos desdobramentos do escândalo do Senado, antes mesmo que a grande imprensa o fizesse.
De olho nessa velocidade, o mercado se rendeu e já comemora os lucros, mostrando que manter apenas o site corporativo não é negócio inteligente. De acordo com estudo apresentado em agosto pelo Altimeter Group, as empresas com melhor colocação no ranking de faturamento no período de março a maio de 2009 utilizaram redes sociais. Essas instituições obtiveram uma média de 18% de incremento na receita.
As vantagens em otimizar a interação pela net são inúmeras e vão da possibilidade de contatar os clientes, até a de receber, em tempo real, novidades de fornecedores e produtos. O grande atrativo dessas redes está também no volume de investimento que exigem: praticamente zero. Essa vantagem é determinante para atrair imediatamente empresas familiares ou de pequeno porte, que usam esses canais como estratégia principal de marketing para garantir lucro e ainda ter melhor qualidade de vida. O desafio está em acompanhar o ritmo frenético dos relacionamentos e da publicidade garantindo, dessa forma, uma imagem atualizada e global.
Gabriela Rossato e Bob Rossato acreditaram no poder da internet e abriram a Loja da Beleza, em 2007. A empresa virtual atingiu o maior faturamento de sua história no último mês, somando R$ 15 mil. Gabriela atribui essa marca ao incremento nas vendas por meio de exposição de seus produtos no Twitter e no Orkut (onde nossa reportagem a encontrou). “Eu trabalhava na área financeira de uma empresa multinacional, e quando engravidei precisava de uma nova atividade. Não queria ficar em casa sem trabalhar e foi aí que surgiu a ideia de vender produtos de beleza pelas redes sociais e sites de busca”, conta Gabriela.
Moradora de Santo André, no ABC paulista, Gabriela não pretende voltar para a área de finanças e parece só ver vantagens no negócio. “A qualidade de vida melhorou muito, antes eu não tinha tempo para ficar com as minhas duas filhas.” E dá uma dica para aqueles que desejam ampliar terreno nesse universo virtual: “Só temos que tomar cuidado com os horários, para não misturar as tarefas, eu trabalho das 8h às 19h.” Além de ter perfil no Orkut e no Twitter, a Loja da Beleza também investe em sites como o Google e o Yahoo.
No patamar de segunda maior mídia do Brasil, a internet só fica atrás da televisão. Segundo o Ibope Net/Ratings, cerca de 29 milhões de brasileiros utilizam algum tipo de rede social, o equivalente a 80% dos usuários de internet. E por meio dessa plataforma interativa, é possível explorar os conceitos básicos do marketing como resultado em tempo real, branding, análise de freqüência, valor de usuário, etc.
A Oftalmoclean, empresa formada por dois irmãos no bairro da Vila Madalena, zona oeste da capital, criou perfis em mais de um site, além de contratar serviço de otimização na internet, conhecido como SEO (Search Engine Optimization), que através do próprio site de busca facilita o encontro da página.
Marcelo Lazezzo e o irmão, técnico em oftamologia, Adriano Lazezzo iniciaram a empresa de assistência técnica em equipamentos oftalmológicos há três anos, e garantem que a divulgação nas redes dá bons resultados. “Tivemos um incremento de 15% nos lucros em conseqüência da divulgação na internet”, revela Marcelo. Eles utilizam Twitter e Orkut e, por meio do SEO, é possível encontrar o site da empresa na primeira página do Google. Nos sites de relacionamento, eles disponibilizam telefones para contato e o perfil do empreendimento.
Outro case interessante é o da Rede Géh, uma empresa virtual que oferece serviços de marketing na web. O publicitário Alexis Kauffmann e a mulher, a designer Géssica Helmann, moradores de Joinville (SC), estão no comando do empreendimento desde 2005. Eles utilizam as redes sociais e o SEO como principais estratégias de marketing. “Através das redes sociais, fomos conhecendo pessoas em outros estados. Hoje, temos colaboradores em Niterói, Uberlândia, Manaus, São Paulo, Vitória e em outras cidades. Trabalhamos em casa e em qualquer lugar do mundo. Tanto faz estarmos no Brasil ou em uma ilha do Caribe”, revela Kauffmann.
O fenômeno das redes sociais é reconhecido até mesmo por empresas que ainda não aderiram voluntariamente a essa febre da web. Os empresários proprietários da padaria Di Cunto, fundada no bairro paulistano da Mooca em 1964, contam que são beneficiados por comunidades do Orkut que destacam produtos da casa, como “Eu amo a coxinha da Di Cunto”. De acordo com o gerente de marketing da padaria, Marco Alfredo Di Cunto Jr., a repercussão dessas comunidades ajuda a aumentar as vendas. “Os clientes já marcaram por meio do site e se reuniram. Há também enquetes na página sobre qual é o doce mais gostoso”, conta.
Já na opinião de Paula Di Cunto Porta, filha de um dos fundadores da padaria, a união dos colaboradores, a observação constante e a capacidade de atualização continuam sendo as principais estratégias de marketing. “O principal em uma empresa é fazer um bom trabalho, com carinho e empenho 24h por dia. Escolher bem os fornecedores, ter um olhar abrangente e saber mudar na hora certa também é muito importante”, conta Paula Di Cunto.
O coordenador do grupo de excelência de convergência tecnológica e mobilidade corporativa do CRA-SP, Crisomar Lobo de Souza, acrescenta que as redes estão provocando uma ruptura de paradigma no modo das empresas se comunicarem com seus clientes. “Algumas empresas já possibilitam a interação em tempo real.”
Orkut.com.br - Site de rede social e discussão criado em 2004. É filiado ao Google e há versão em português. Permite a criação de comunidades temáticas. Para fazer o cadastro, é necessário ser convidado por um participante
LinkedIn.com – Site para compartilhamento de in-formação, idéias e oportunidades, criado em 2002 e com foco em negócios
MySpace.Com - Serviço de rede social que utiliza a Internet para comunicação online através de uma rede interativa de fotos, vídeos, músicas, blogs e perfis de usuário. Foi criada em 2003. É a maior rede social dos Estados Unidos. Foi o site que projetou a cantora Malu Magalhães
Twitter.com - Site de rede social criado em 2006 por Jack Dorsey. Funciona também como microblog. Os usuários escrevem textos de até 140 caracteres a cada mensagem e lêem atualizações dos contatos que escolher em uma única página. Há a opção de traduzir a página original, escrita em inglês
Facebook.com - Site de relacionamento mais completo e reconhecido criado em 2004 por Mark Zuckerberg, um ex-estudante de Harvard. Na mesma página pode-se incluir fotos, vídeos e textos. Basta acessar a página e fazero cadastro
Flickr.com - Site que hospeda imagens fotográficas. Foi adquirido pela Yahoo! Inc em 2005. Entrar no endereço, criar uma conta e postar fotos
Nova ferramenta pode ser eficaz, mas é complementar
Ainda que a criação de um perfil e o acompanhamento da rede de relacionamento na internet possam servir como termômetro do mercado e para ampliar horizontes de atuação, não são suficientes como ferramenta de marketing para nenhum ramo de atividade.
“Algumas estratégias nunca serão substituídas, mas as novas são muito favoráveis”, afirma a professora titular da Escola de Comunicação e Artes (ECA) da Universidade de São Paulo (USP), Elizabeth Saad Correa.
Segundo a professora, aqueles que usam as redes sociais como estratégia de marketing estão à frente dos outros empresário usuários da internet. Por outro lado, ela explica que o empresário prevenido pode ampliar a vantagem do uso dessas ferramentas virtuais.
“No caso da rede social, você e o cliente protagonizam uma sala de conversa, o fator positivo prevalece. Porém, deve haver muita clareza, pois a exposição é grande nesses ambientes. É preciso estar preparado para receber e acompanhar as informações, o ideal é criar um processo de maturação, previamente”, recomenda a professora da USP.
“A essência das redes sociais é a cons-trução dos contatos. Para construir uma rede de interesse é preciso um profissional que conheça muito bem esse ambiente.”
Elizabeth Saad, professora da ECA/USP