quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Uso da web amplia mercado e incrementa receita

Empresas familiares descobrem que manter a presença na internet em todos os canais possíveis, difunde seu produto e ainda ajuda a melhorar a qualidade de vida, com mais tempo para filhos e lazer

Por Caroline Pellegrino
Matéria publicada na Revista do Conselho Regional de Administração (CRA-SP)
http://www.crasp.gov.br/rap/279/279.pdf

Orkut, Facebook, Flickr, Twitter, LinkedIn e Myspace são algumas das redes sociais da internet que estão sendo utlizadas amplamente como ferramentas de marketing. A agilidade com que esses canais transmitem e disseminam informações está mais do que provada. Foi pelo Twitter, por exemplo, que os internautas acompanharam as notícias mais frescas dos desdobramentos do escândalo do Senado, antes mesmo que a grande imprensa o fizesse.

De olho nessa velocidade, o mercado se rendeu e já comemora os lucros, mostrando que manter apenas o site corporativo não é negócio inteligente. De acordo com estudo apresentado em agosto pelo Altimeter Group, as empresas com melhor colocação no ranking de faturamento no período de março a maio de 2009 utilizaram redes sociais. Essas instituições obtiveram uma média de 18% de incremento na receita.

As vantagens em otimizar a interação pela net são inúmeras e vão da possibilidade de contatar os clientes, até a de receber, em tempo real, novidades de fornecedores e produtos. O grande atrativo dessas redes está também no volume de investimento que exigem: praticamente zero. Essa vantagem é determinante para atrair imediatamente empresas familiares ou de pequeno porte, que usam esses canais como estratégia principal de marketing para garantir lucro e ainda ter melhor qualidade de vida. O desafio está em acompanhar o ritmo frenético dos relacionamentos e da publicidade garantindo, dessa forma, uma imagem atualizada e global.

Gabriela Rossato e Bob Rossato acreditaram no poder da internet e abriram a Loja da Beleza, em 2007. A empresa virtual atingiu o maior faturamento de sua história no último mês, somando R$ 15 mil. Gabriela atribui essa marca ao incremento nas vendas por meio de exposição de seus produtos no Twitter e no Orkut (onde nossa reportagem a encontrou). “Eu trabalhava na área financeira de uma empresa multinacional, e quando engravidei precisava de uma nova atividade. Não queria ficar em casa sem trabalhar e foi aí que surgiu a ideia de vender produtos de beleza pelas redes sociais e sites de busca”, conta Gabriela.

Moradora de Santo André, no ABC paulista, Gabriela não pretende voltar para a área de finanças e parece só ver vantagens no negócio. “A qualidade de vida melhorou muito, antes eu não tinha tempo para ficar com as minhas duas filhas.” E dá uma dica para aqueles que desejam ampliar terreno nesse universo virtual: “Só temos que tomar cuidado com os horários, para não misturar as tarefas, eu trabalho das 8h às 19h.” Além de ter perfil no Orkut e no Twitter, a Loja da Beleza também investe em sites como o Google e o Yahoo.

No patamar de segunda maior mídia do Brasil, a internet só fica atrás da televisão. Segundo o Ibope Net/Ratings, cerca de 29 milhões de brasileiros utilizam algum tipo de rede social, o equivalente a 80% dos usuários de internet. E por meio dessa plataforma interativa, é possível explorar os conceitos básicos do marketing como resultado em tempo real, branding, análise de freqüência, valor de usuário, etc.

A Oftalmoclean, empresa formada por dois irmãos no bairro da Vila Madalena, zona oeste da capital, criou perfis em mais de um site, além de contratar serviço de otimização na internet, conhecido como SEO (Search Engine Optimization), que através do próprio site de busca facilita o encontro da página.

Marcelo Lazezzo e o irmão, técnico em oftamologia, Adriano Lazezzo iniciaram a empresa de assistência técnica em equipamentos oftalmológicos há três anos, e garantem que a divulgação nas redes dá bons resultados. “Tivemos um incremento de 15% nos lucros em conseqüência da divulgação na internet”, revela Marcelo. Eles utilizam Twitter e Orkut e, por meio do SEO, é possível encontrar o site da empresa na primeira página do Google. Nos sites de relacionamento, eles disponibilizam telefones para contato e o perfil do empreendimento.

Outro case interessante é o da Rede Géh, uma empresa virtual que oferece serviços de marketing na web. O publicitário Alexis Kauffmann e a mulher, a designer Géssica Helmann, moradores de Joinville (SC), estão no comando do empreendimento desde 2005. Eles utilizam as redes sociais e o SEO como principais estratégias de marketing. “Através das redes sociais, fomos conhecendo pessoas em outros estados. Hoje, temos colaboradores em Niterói, Uberlândia, Manaus, São Paulo, Vitória e em outras cidades. Trabalhamos em casa e em qualquer lugar do mundo. Tanto faz estarmos no Brasil ou em uma ilha do Caribe”, revela Kauffmann.

O fenômeno das redes sociais é reconhecido até mesmo por empresas que ainda não aderiram voluntariamente a essa febre da web. Os empresários proprietários da padaria Di Cunto, fundada no bairro paulistano da Mooca em 1964, contam que são beneficiados por comunidades do Orkut que destacam produtos da casa, como “Eu amo a coxinha da Di Cunto”. De acordo com o gerente de marketing da padaria, Marco Alfredo Di Cunto Jr., a repercussão dessas comunidades ajuda a aumentar as vendas. “Os clientes já marcaram por meio do site e se reuniram. Há também enquetes na página sobre qual é o doce mais gostoso”, conta.

Já na opinião de Paula Di Cunto Porta, filha de um dos fundadores da padaria, a união dos colaboradores, a observação constante e a capacidade de atualização continuam sendo as principais estratégias de marketing. “O principal em uma empresa é fazer um bom trabalho, com carinho e empenho 24h por dia. Escolher bem os fornecedores, ter um olhar abrangente e saber mudar na hora certa também é muito importante”, conta Paula Di Cunto.

O coordenador do grupo de excelência de convergência tecnológica e mobilidade corporativa do CRA-SP, Crisomar Lobo de Souza, acrescenta que as redes estão provocando uma ruptura de paradigma no modo das empresas se comunicarem com seus clientes. “Algumas empresas já possibilitam a interação em tempo real.”

Orkut.com.br - Site de rede social e discussão criado em 2004. É filiado ao Google e há versão em português. Permite a criação de comunidades temáticas. Para fazer o cadastro, é necessário ser convidado por um participante

LinkedIn.com
– Site para compartilhamento de in-formação, idéias e oportunidades, criado em 2002 e com foco em negócios

MySpace.Com - Serviço de rede social que utiliza a Internet para comunicação online através de uma rede interativa de fotos, vídeos, músicas, blogs e perfis de usuário. Foi criada em 2003. É a maior rede social dos Estados Unidos. Foi o site que projetou a cantora Malu Magalhães

Twitter.com
- Site de rede social criado em 2006 por Jack Dorsey. Funciona também como microblog. Os usuários escrevem textos de até 140 caracteres a cada mensagem e lêem atualizações dos contatos que escolher em uma única página. Há a opção de traduzir a página original, escrita em inglês

Facebook.com - Site de relacionamento mais completo e reconhecido criado em 2004 por Mark Zuckerberg, um ex-estudante de Harvard. Na mesma página pode-se incluir fotos, vídeos e textos. Basta acessar a página e fazero cadastro

Flickr.com - Site que hospeda imagens fotográficas. Foi adquirido pela Yahoo! Inc em 2005. Entrar no endereço, criar uma conta e postar fotos


Nova ferramenta pode ser eficaz, mas é complementar

Ainda que a criação de um perfil e o acompanhamento da rede de relacionamento na internet possam servir como termômetro do mercado e para ampliar horizontes de atuação, não são suficientes como ferramenta de marketing para nenhum ramo de atividade.

“Algumas estratégias nunca serão substituídas, mas as novas são muito favoráveis”, afirma a professora titular da Escola de Comunicação e Artes (ECA) da Universidade de São Paulo (USP), Elizabeth Saad Correa.

Segundo a professora, aqueles que usam as redes sociais como estratégia de marketing estão à frente dos outros empresário usuários da internet. Por outro lado, ela explica que o empresário prevenido pode ampliar a vantagem do uso dessas ferramentas virtuais.

“No caso da rede social, você e o cliente protagonizam uma sala de conversa, o fator positivo prevalece. Porém, deve haver muita clareza, pois a exposição é grande nesses ambientes. É preciso estar preparado para receber e acompanhar as informações, o ideal é criar um processo de maturação, previamente”, recomenda a professora da USP.


“A essência das redes sociais é a cons-trução dos contatos. Para construir uma rede de interesse é preciso um profissional que conheça muito bem esse ambiente.”
Elizabeth Saad, professora da ECA/USP

domingo, 1 de novembro de 2009

Artigo 2

Tv digital interativa, podcast, blog, ambientes adaptados com alta tecnologia e redes de relacionamento podem ser grandes aliados da aprendizagem, do ensino e usados em diversos ambientes criativos. Porém, muitas vezes, as inúmeras possibilidades trazidas pelo ambiente virtual são taxadas, por educadores e diretores de instituições de ensino, como secundárias. Para tornar a educação brasileira plugada nas tecnologias atualizadas a cada minuto é preciso haver superação de outros tantos entraves estruturais, filosóficos e culturais. Políticas que limitam o acesso dos alunos à internet ou a telefones móveis, a escassez de ferramentas e o analfabetismo digital são alguns dos itens que precisam ser modificados.

Segundo pesquisa feita pela consultoria Ibobe Nielsen Online, realizada no primeiro semestre de 2009, a estimativa é que aja 62, 3 milhões de pessoas com acesso à internet no Brasil, isto é, cerca de 32% da população. Porém, a quantidade de pessoas que não sabe utilizar o computador ainda é grande. O analfabetismo digital, como é conhecido esse fenômeno, atinge aproximadamente 26% da população brasileira de acordo com levantamento da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe –Cepal (GATTI, 2005).

A internet oferece várias ferramentas para a navegação em seu ambiente, agindo como uma verdadeira incubadora mediática, já que dá espaço para a criação de diversos dispositivos comunicacionais. (LEMOS, p.126)

Esse distanciamento que existe entre tecnologia e educação serve como estímulo para diversas iniciativas públicas e privadas. A partir dessa conscientização do conhecimento dos meios digitais é possível ampliar os horizontes da educação. A criação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, de 1996, é uma das tentativas de estimular a inserção tecnológica nas escolas. A norma determina a expansão da ‘alfabetização digital’ em todos os níveis de ensino, do fundamental ao superior. Por outro lado, é comum observar escolas da rede pública com déficit de computadores, ou até mesmo com demanda de professores treinados para interagir com o universo da multimídia. O professor de português e especialista em inclusão digital em escolas públicas e privadas, Carlos Albuquerque explica que há uma grande diferença no uso da informática por diferentes alunos e a falta de preparo dos educadores.

O que acontece muito nas escolas é quando os próprios professores não sabem utilizar as tecnologias ou, os laboratórios estão inativos e quebrados. A maioria dos jovens lida muito bem com o computador, muito devido à febre de lan houses, por outro lado, com os adultos acontece o contrário, a minoria sabe utilizar. (ALBUQUERQUE, 2009)


Segundo dados do Ministério da Educação existem 80 projetos que envolvem o uso de tecnologia na educação. A principal proposta do governo é o Programa Nacional de Tecnologia Educacional – Proinfo, criado em 2007 pelo Decreto 6.300. Entre as principais iniciativas estão a inserção de atividades pedagógicas que utilizam conteúdos digitais nas salas de aula, o estímulo da autonomia do estudante no processo de aprendizagem. No plano também está a presença de laboratórios de informática e conexão à internet, sendo um computador por aluno, um projetor multimídia e oferta de conteúdos educacionais e interativos, como o portal do professor e a TV Escola.

Desde de 2003, a Secretaria Nacional de Educação à Distancia desenvolveu a primeira TV Escola Digital Interativa, com tecnologia de transmissão via satélite. O objetivo da ferramenta multimídia é enriquecer o processo de ensino e aprendizagem e a educação continuada dos professores.

Um receptor digital possibilita a recepção da TV Escola Digital Interativa e, o mesmo está sendo distribuído e instalado nas escolas públicas, como também um canal de retorno adaptado para a proposta. Professores estão recebendo materiais complementares e guias de estudos, além de acessar conteúdos educativos, através do controle remoto. Eles ainda podem surfar pela TV interativa e acompanhar notícias do próprio portal do professor, gravar vídeos e participar de enquetes para melhorias educacionais. A meta da secretaria é atingir gradativamente os beneficiários das 180 mil escolas públicas de ensino básico, do país.

É notável, porém, observar o abismo existente entre tecnologia e os alunos das redes públicas do país, mesmo incluídos em programas como o realizado pela Secretaria Nacional de Educação à Distancia . Há críticas de diversas vertentes sobre a quantidade de horas de acesso, os conteúdos que os alunos podem estar conectados, como também o tipo de inclusão digital a ser oferecida nas escolas.
Para o doutor da Universidade americana Northwestern, o paulistano Paulo Blikstein, que estuda o uso de tecnologia na educação, a interatividade deve ir além da consulta à internet.

Muita gente acha que produzir conhecimento é escrever um trabalho, mas pode ser criar um robô, um programa para coleta de lixo no seu bairro. Em muitas escolas, usar a tecnologia se resume a buscar dados para um trabalho. Mas é preciso aproveitar toda a motivação incrível que as crianças têm para criar, para mexer com tecnologia. O trabalho que eu faço é usar a tecnologia para construir projetos relevantes para a vida delas. Aquilo que a gente chama de aprender fazendo. Faz um robô, cria um programa, cria um produto, vê que não funciona direito, faz de novo. Se a gente realmente quer criar uma geração de cientistas para contribuir para o avanço tecnológico do Brasil, a gente tem de ensinar a ciência do século 21 e não a do século 19. (Cafardo, 2008)

Jogos, softwares de criação, o estímulo a compra de laptops deveriam ser incorporados nos ambientes educacionais, pela capacidade interativa e lúdica. A construção do conhecimento é possível a partir da realidade dos alunos. Eles precisam visualizar a usabilidade do conteúdo para interagir com o mesmo. E para isso os educadores devem adotar a mesma ideologia.

A responsabilidade ética, política e profissional do ensinante lhe coloca o dever de se preparar, de se capacitar, de se formar antes mesmo de iniciar sua atividade docente. Esta atividade exige que sua preparação, sua capacitação, sua formação se tornem processos permanentes. Sua experiência docente, se bem percebida e bem vivida, vai deixando claro que ela requer uma formação permanente do ensinante. Formação que se funda na análise crítica de sua prática. (Freire, 1992)

Segundo a Secretaria Municipal de Educação de São Paulo, todas as unidades da rede educacional estão equipadas com computadores conectados a internet, internet, webcams, projetor multimídia, impressoras e softwares. Ainda de acordo com a secretaria, os alunos têm aula de informática educativa semanalmente no horário regular das aulas e contam com professor orientado.
O que acontece na capital paulista ocorre em muitas outras cidades do país. A visita aos laboratórios são necessárias, mas consideradas insuficientes para possibilitar a inclusão tecnológica na educação dos brasileiros, de forma interativa e abrangente. De forma a haver a formação de cidadãos que acompanhem o ritmo frenético da tecnologia.

Enquanto não acontece o debate sobre as aplicações do ciberespaço à vigilância e o controle dos cidadãos, assim como a militarização do espaço satelital, incidem cada vez mais na esfera pública, em todas as latitudes, a propaganda, a manipulação e as estratégias deliberadas de condicionamento da opinião pública. (MATTELART, 2004 apud MORAES, 2006, p. 237)

A junção entre aulas em laboratórios com professores plugados e o estímulo criativo, por meio da utilização de softwares e dos novos meios de comunicação pode ser o ambiente considerado ideal para o uso da multimídia como forma de ampliação do conhecimento. Porém, não esquecendo a vigilância dos conteúdos acessados pelos aprendizes.

The Advisory Board recognized the need for new tools for filtering that (technologies like blog, podcast and video; grifos nossos) do a better job of keeping objectionable content out of the way while allowing useful tools and content to be accessed. (THE NEW MEDIA CONSORTIUM, 2009, p. 4)

Não somente a TV Escola foi modernizada para desenvolver o sistema educacional, como a própria TV aberta digital, ainda em testes, pode representar uma forte ferramenta pedagógica.
A riqueza de detalhes e a recepção instantânea das informações fazem da televisão o veículo de comunicação mais popular no Brasil. A alta definição e a qualidade de imagem é o que possível encontrar da TV digital, nos dias de hoje, porém uma versão interativa com até oito programas por canal é a proposta que deve atingir as casas dos brasileiros daqui a cerca de cinco anos.

O formato japonês da TV digital adotada pelo governo brasileiro (ISDB) deve ficar muito mais interativo e contribuir para a inclusão e democratização das informações, já que 90% da população têm televisão. A venda interativa de cursos, jogos, consultas personalizadas, pay-per-view, como a inserção de mais canais estão sendo esperados para esse novo modelo digital. Onde hoje se transmite um canal será possível transmitir oito novas programações. Um a gama de canais que irão do 7 VHS até o 69 UHF.

Segundo o Fórum Nacional da Tv Digital (divulgado pelo Coletivo Brasil de Comunicação Social, o Intervozes) o sistema Ginga, que tem a tecnologia necessária para possibilitar interatividade está em fase de especificação e precisa ser aprovada pela Associação Brasileira de Normas Técnicas.

Algumas emissoras já estão testando um modelo provisório de interatividade, com a inserção de ferramentas da internet, como blogs, twitter e comunidades virtuais. Para que os cidadãos possam usar a TV como forma de enviar dados aos provedores de conteúdo e interagiar ainda mais com a educação, é necessário um canal de retorno, cujo formado está sendo decidido pelo governo e organizações sociais. Esse canal poderá ser via telefone, satélite, banda de radiodifusão, Wi-Fi ou Wi-Max. Há uma grande curiosidade em torno do modelo que será uma porta aberta para a comunicação, como também será a junção das mídias em prol, entre outras finalidades, da educação.

Os níveis de interatividade dessa TV podem ser classificados como básico, intermediário e mais elevado. No primeiro, o telespectador poderia decidir qual câmera deve assistir em um jogo de futebol, por exemplo, ou decidir a programação através de uma lista de opções. No segundo momento, haverá um canal de retorno, que possibilita o envio de conteúdo dos telespectadores para as emissoras, e ainda utilização de e-mail, votação e enquetes e transações bancárias. No patamar mais avançado, desse formato, será possível se comunicar tanto com as produtores de informações, como com outras pessoas.

Uma outra discussão existente é sobre a definição de interatividade, que está também sendo definida. Enquanto uns integram o debate afirmando que a interação está na maior participação do cidadão, de uma forma muita mais dinâmica, outros acreditam que o fato de haver opções excluí a interação.
O que é há de fato é o debate acerca do formato da TV digital interativa e a idéia de que a efetivação da mesma traga benefícios para a educação das pessoas. E através da interação com as múltiplas formas de mídia, os alunos poderão acessar e armazenar informações de uma forma mais ampla do que é oferecido pelas escolas.
Essa mudança de formato da inserção multimídia e tecnológica na educação pode trazer benefícios sociais, incalculáveis. A ampliação do processo reflexivo e as associações simbólicas são fundamentais para a construção da identidade das pessoas e da sociedade.

É A profusão de materiais simbólicos pode fornecer aos indivíduos os meios de explorar formas alternativas de vida de um modo imaginário e simbólico; e conseqüentemente permitir-lhes uma reflexão crítica sobre si mesmos e sobre as reais circunstâncias de suas vidas. (Thompson 1995, p. 186)


REFERÊNCIAS

ALBUQUERQUE, Carlos. Entrevista concedida para a autora, deste artigo, por e-mail. 03 jul 2009. São Paulo.

CAFARDO,Renata. Para criar um geração de cientistas temos que ensinar a ciência do século 21. Disponível em: < http://www.estado.com.br/editorias/2008/06/15/ger-1.93.7.20080615.10.1.xml>. Acesso em 09 jul 2009

FREIRE, Paulo. Ensinar, aprender:
leitura do mundo, leitura da palavra. Pedagogia da esperança, Paz e Terra, 1992. Disponível em :< http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-40142001000200013->.Acesso em 10 jul 2009.

GATTI, Daniel Couto. Sociedade informacional e an/alfabetismo digital: relações entre comunicação, computação e internet. Bauru, SP: EDUSC; Uberlândia, MG: 2005.

LEMOS, André. Cibercultura-Tecnologia E Vida Social Na Cultura Contemporânea. Editora: Sulina 1ª edição 2002

MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO. Portal do Mec. Disponível em:
<http://www.portalfederativo.gov.br/pub/Inicio/InclusaoDigitalEncontro/Inclusao_Digital_Carlos_Bielschowsky.pdf>

MORAES, Dênis de. Sociedade Midiatizada. Rio de Janeiro: Mauad. 2006.

THE NEW MEDIA CONSORTIUM. The Horizon Report:2009 K-12 Edition. Disponível em: < http://www.nmc.org/horizon> Acesso em: 09 jul 2009

THOMPSON, John B. Ideologia e cultura moderna: teoria social critica na era dos meios de comunicação de massa. 1. Ed. Petrópolis: Vozes, 1995.

INTERVOZES. Disponível em: Acesso em: 09 jul 2009

domingo, 30 de agosto de 2009

Artigo 3

Seguro contra a crise: o segredo do desenvolvimento econômico está no capital humano


Produtividade. Essa é considerada uma variável estratégica e segura para garantir a estabilidade da economia. Aumentando a produção interna, aumenta consequentemente a renda das pessoas, a quantidade de vagas de empregos e a prevenção à crise mundial. O Brasil é um dos países com maiores chances de recuperar as perdas causadas pela onda internacional de falências bancárias, proveniente do estouro imobiliário nos EUA, no início da década. O país apresenta um cenário favorável; não somente por apresentar grande potencial natural, energético; como também humano. E, em meio a essa conjuntura, o fortalecimento do emprego, mediante a educação pode ser o maior ativo para amortecer os impactos negativos do mercado. Historicamente, os investimentos sociais em educação foram determinantes no aumento da competitividade e o desenvolvimento econômico das nações, como foi o caso da Coréia do Sul. Considerado o maior tigre asiático, o país atingiu um patamar de crescimento através de investimentos robustos em treinamentos e conhecimento tecnológico.

A criação de postos de trabalho e o aquecimento das atividades do comércio estão também relacionados à quantidade de investimento não somente em infra-estrutura, mas também em capital humano, que impulsionam o consumo. A produção, dessa forma, pode ser alavancada através de estratégias educacionais, tanto nos âmbitos fundamental e médio quanto no superior. Segundo o ministro da Fazenda, Guido Mantega, em entrevista concedida à edição de maio/junho de 2009 à revista Carta Capital, “se conseguirmos manter o Produto Interno Bruto (PIB) em patamar positivo, vamos continuar a criar empregos”.

A medida individual de produção mais importante numa economia é o produto interno bruto (PIB), que mede o valor total dos bens e serviços gerados dentro dos limites geográficos de uma economia. Há uma distinção entre o PIB nominal e o real. O primeiro mede o valor dos bens e serviços pelo valor atual de mercado. Já a outra estatística tenta medir o volume físico (quantidade) do produto. (SACHS, 1998). Uma economia que valoriza o conhecimento estará à frente das outras nações e segura contra as turbulências do mercado. A Coréia do Sul, por exemplo, é um país com 89 mil quilômetros quadrados, o equivalente a 1% do território brasileiro e exporta três vezes mais do que o Brasil.

O país asiático só conseguiu atingir o patamar de nação exportadora de bens como automóveis, eletrônico, celulares, entre outros itens tecnológicos; através de uma educação rigorosa e de qualidade, voltada ao desenvolvimento cognitivo. Mesmo depois da Guerra da Coréia, a população já estava totalmente alfabetizada. Hoje, o país esnoba uma colocação privilegiada, comparado a países desenvolvidos e sendo um dos poucos do mundo que tem educação secundária universal, isto é, toda a população conseguiu concluir o ensino secundário.
O Brasil, por sua vez, investe hoje cerca 10% da renda em educação, uma quantidade considerável, mas insuficiente para suprir todas as necessidades educacionais da população. Segundo um estudo realizado pela Organização para Cooperação Econômica e Desenvolvimento (OCDE, sigla em inglês), publicada em 2007; cerca de 3,9% do PIB brasileiro foi investido no ensino, enquanto os Estados Unidos, o país que ficou no topo da pesquisa, gastou cerca de 7,4% do produto interno bruto.

Ainda de acordo com o estudo realizado pela OCDE, o país destacou-se por apresentar um dos piores investimentos com o estudante, à frente somente da Rússia que injeta 3,6% do PIB na área educacional. Além da insuficiência dos gastos públicos foi possível observar a desproporção de investimentos no ensino básico e no superior. O Brasil também é conhecido por investir mais na educação superior do que na básica. No ano da pesquisa publicada em 2007 foi investido nas instituições públicas brasileiras cerca de R$ 2.000 por aluno da educação básica e cerca de R$ 18.000 para os de nível superior, o equivalente a nove vezes mais. Um distanciamento grande se comparado com economias desenvolvidas, onde os investimentos apresentam em média o dobro do destinado ao nível superior. O reino Unido, por exemplo, no mesmo ano, investiu o equivalente a R$ 12.000 por aluno da escola pública e R$ 22.000 nas universidades.

Modificações concomitantes em diversos outros setores são necessárias para melhorar o acesso ao ensino. A prioridade na educação básica, a reestruturação tecnológica nas escolas, qualidade das aulas e uma política que incentive a extinção do analfabetismo podem ser soluções para o déficit educacional brasileiro. Além de realização de treinamentos com os professores e aumento de salários nos âmbitos municipais e estaduais.

Quanto antes a educação chegar até as pessoas, mais barato será para o país, uma vez que ensinar para pessoas mais velhas leva mais tempo e a conseqüência é aumento de gasto. Além disso, o conhecimento adquirido nos primeiros anos de idade serve como base para a assimilação de conteúdos complexos, e precisa ser tratado como prioritário.
O desempenho paradoxalmente desigual dos alunos de escolas particulares em comparação com os das públicas na prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2008 também serviu como indicador para a necessidade de mudança no sistema em atual. Em entrevista concedida para o jornal O Globo Online, no início de 2009, o ministro da educação Fernando Haddad afirmou ser insuficiente o investimento público no ensino médio.

“Em 2007 o investimento foi de R$ 1.500 por aluno nas redes públicas. Isso pode explicar o abismo entre os estudantes de instituições privadas e públicas, já que o valor é quase igualado ao investimento feito mensalmente pelos pais de alunos das escolas privadas. O ensino médio teve um incremento muito importante por parte dos governos estaduais, com aumento de 50% de 2005 para 2007. Mas, ainda é muito pouco, o que é investido anualmente praticamente se compara a uma mensalidade das melhores escolas particulares do país”, declarou o ministro. (GOMES & WEBER, 2009).

Esse entrave social, causado pela desestruturação no ensino básico e médio fazem aumentar ainda mais a desigualdade e o analfabetismo funcional. Os 14 milhões de brasileiros sem estudo algum representam cerca de 8% da população, essa fatia da pirâmide social contribui a baixa produtividade e o funcionamento da econômia.
Para o economista americano James Heckman, Premio Nobel em 2000, a opção pelo ensino custa algo de um décimo do gasto com segurança. Mais um indicador das vantagens de transferir a renda pública para o conhecimento. Ainda de acordo com os cálculos de Heckman, cada dólar gasto na educação de uma pessoa significa que ela produzirá algo como 10 centavos a mais, por ano, ao longo de toda a vida.

Pode-se afirmar que uma população bem educada gera empregos, aumenta a produção do país, a renda e os gastos em diversos segmentos. É visível a necessidade de investimentos em conhecimento, sendo essa uma variável determinante para a diminuição da desigualdade. Segundo SACHS & LARRAIN (1998), as taxas de desemprego medem a quantidade de pessoas que estão sem emprego e que estão à procura, esses índices estão diretamente relacionadas à quantidade de produção.

O economista Gustavo Ioschpe; mestre em economia internacional e desenvolvimento econômico pela Universidade de Yale (EUA), e consultor do Ministério da Educação (MEC); afirma que no seu estudo descobriu ser a educação o principal fator para explicar a desigualdade. De acordo com Ioschpe, a educação no Brasil responde a 50% da diferença de renda no país. (KADAOKA, 2005)

Uma aceleração no nível de atividade interna, através do acesso e compreensão das informações pode aumentar a demanda por circulação de moeda interna, diminuindo assim o endividamento e podendo influenciar na queda das taxas de juros. Os resultados de uma mudança de comportamento, como o aumento da produção através de uma educação mais abrangente e qualificada não podem ser previstos com exatidão, mas a escolha pelo aumento da qualidade educacional do país acarretaria, sem sombras de dúvida, um ganho social expressivo.
A transferência de renda no país nem sempre é coerente. Neste ano o governo anunciou investimento de R$ 17,47 bilhões para custear o aumento dos salários dos funcionários públicos federais, que são mais de 2 milhões de pessoas. Um valor que poderia ser aplicados em instalações tecnológicas e estruturais nas escolas foi direcionado para uma classe, cuja renda é considerada alta, em média de três vezes maior do que o da maioria da população.
A distribuição de recursos deveria ser reavaliada, levando em consideração as vantagens que a melhora na educação gera para toda a sociedade. As políticas, por sua vez devem ser analisadas com critérios de distribuição mais equilibrados.

Há, com efeito, uma incerteza substancial sobre os efeitos das políticas macroeconômicas. Essa incerteza deve levar os formuladores de políticas a serem mais cautelosos. (...) Quanto mais altos forem os níveis de desemprego ou inflação, mais ativas devem ser as políticas. Mas, devem ficar fazendo sintonia fina, isto é, tentar atingir tanto um nível constante de desemprego, quanto um crescimento constante de produto. ( BLANCHARD, 2001, p.536).

Um incremento do emprego, criação de novas vagas resultam, entre outros fatores, num aumento da renda e aceleração do consumo interno. Essa movimentação influencia na demanda por moeda e podem, também, interferir no preço do dinheiro, através de empréstimos.
O aumento da oferta de moeda provoca a diminuição da taxa de juros. O aumento da demanda por moeda, em virtude, digamos, de um aumento do produto, acarreta o aumento da taxa de juros. (BLANCHARD, 2001, p.422).

Os investimentos em conhecimento acarretariam consequências diversas, no mercado e na sociedade, mas os impactos podem ser considerados, em grande maioria, como positivos.
O resultado do aumento da demanda por moeda e das taxas de juros, podem atrair os investidores internacionais, uma vez que os títulos da dívida brasileira tornam-se mais rentáveis. Em negociação de títulos com investidores internacionais, por exemplo, gera uma alta do valor da moeda brasileira, a apreciação do real se torna evidente.Por outro lado, a apreciação inicial da moeda tem de ser tal que a depreciação futura esperada compense o aumento da taxa de juros doméstica.

O consumo e os gastos do governo claramente sobem – o consumo por causa do aumento da renda, os gastos dos governo por hipótese. O que acontece com o investimento é ambíguo, o investimento depende tanto do produto quanto da taxa de juros: I = I (Y,i). Por um lado, o produto sobe e provoca o aumento do investimento. Por outro, todavia, a taxa de juros também sobem, fazendo com que o investimento caia. As importações líquidas dependem do produto do resto do mundo, do produto interno e da taxa de câmbio (BLANCHARD, 2001, p. 427).

Ao privilegiar a educação com maiores investimentos em conhecimento, em estrutura escolar, reformulando o ensino fundamental e médio e ampliando também as vagas nas universidades, o governo estará contribuindo para o uso racional da renda gerada pelos impostos. Além de garantir um melhor bem estar social, o aumento da prioridade dada à educação é capaz de diminuir a desigualdade social e colocar o país no rumo do desenvolvimento intelectual e econômico.

REFERÊNCIAS:

BLANCHARD, Olivier – Macroeconomia: teoria e política econômica, Brasil, Elsevier,2001.

GARCIA, Fabio Gallo.Como planejar a educação- São Paulo: Publifolha, 2001.

GOMES, Rodrigo & WEBER, Demétrio. Investimento Público em Ensino Médio ainda é insuficiente, avalia Haddad. Jornal O Globo, Rio de Janeiro. 29 abr 2009. Disponível em:
<http://oglobo.globo.com/educacao/mat/2009/04/29/investimento-publico-no-ensino-medio-ainda-insuficiente-avalia-haddad-755499151.asp> Acesso em 28 mai 2009.

KADAOKA, Fernando. A educação no Brasil aumenta a desigualdade. IstoÉ Online 05 out 2005. Disponível em:
<http://www.terra.com.br/istoe/1877/1877_vermelhas_01.htm> Acesso em 28 mai 2009

OECD (Organisation for Economic Co-operation and Development). Education at a Glance 2007. Disponível em:
http://www.oecd.org/document/30/0,3343,en_2649_39263294_39251550_1_1_1_1,00.html#summary> Acesso em 29 mai 2009.

SACHS, Jeffrey, and LARRAIN, A.B. – Macroeconomia, Brasil, Makron Books, 1998.